PROJETO DE LEI Nº 181/2003
Institui o Selo Economia Solidária e da outras providências.
A ASSEMBLÉIA
LEGISLATIVA DECRETA E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI:
Art. 1º - Fica instituído o Selo "Economia Solidária", que identificará os empreendimentos direcionados à execução de políticas públicas de crédito, comercialização, desenvolvimento tecnológico e formação adequadas às necessidades da economia solidária. Art. 2º - Economia popular solidária compreende o resultado da união de trabalhadores em empreendimentos que privilegiam a autogestão do trabalho, o consumo ético, a justa distribuição da riqueza produzida coletivamente, o respeito ao equilíbrio dos ecossistemas e à diversidade cultural. Art. 3º - Compete a colegiado, composto por representantes de órgãos do Governo do Estado, organizações representativas de economia solidária e outras entidades ou instituições afins, a sistematização dos processos de produção, transformação,certificação e comercialização dos produtos gerados pela economia solidária. Art. 4º - Poderão integrar a comissão permanente: I - representantes de entidade civil ligada à defesa do consumidor; II - representantes de organizações não governamentais; III - representantes de entidades associativas ligadas à produção, ao crédito popular e ao consumo final de produtos elaborados em regime de economia solidária; IV - técnico do quadro de pessoal da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Parágrafo único - A comissão manterá paridade na representação dos órgãos públicos e da sociedade, e seus membros não perceberão nenhuma remuneração. Art. 5º - Para fins de comprovação de qualidade e procedência dos produtos observar-se-á: I - a preservação da biodiversidade dos ecossistemas naturais em que se insere o sistema de produção; II - a conservação do solo, da água e do ar; III - a otimização do uso de recursos naturais; IV - a gestão ambiental, considerando o ciclo de vida do produto; V - a origem da produção. Art. 6º - O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de sessenta dias. Art. 7º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 8º - Revogam-se as disposições em contrário.
Sala das
Sessões, em 03 de Outubro de 2003
Dep. José Guimarães
Líder do PT-Ce
JUSTIFICATIVA
A economia solidária, como concepção de desenvolvimento sustentável, deve ocupar ponto central na estratégia a ser desenvolvida pelo Governo Federal e pelos Estados, difundindo, a fim de promover as finanças solidárias, as redes de produção, comercialização e consumo, reconstruindo cadeias produtivas, a ponto de consolidar esse vigoroso instrumento como uma opção de desenvolvimento econômico para o País, democratizando o conhecimento e a tecnologia. A presente proposição visa a afirmar a importância da economia solidária como opção estratégica para o desenvolvimento econômico nacional, e não apenas como geradora de trabalho e renda. De fato, o movimento crescente da sociedade brasileira, marcado pelo anseio por mudanças, é expressão da progressiva constituição de uma nova fase histórica em nosso País, que pode efetivamente promover transformações estruturais em favor das grandes maiorias, a partir do atendimento de demandas imediatas e concretas. As organizações de economia solidária são parte dessa construção histórica e como tal devem ser compreendidas em seu elevado potencial, e não apenas como formas marginais de atender a demandas de consumo e produção. Para tanto, algumas ações tornam-se necessárias: em primeiro lugar, é preciso fortalecer as diversas formas de economia solidária praticadas no Brasil, particularmente em nosso Estado, em razão dos seus benefícios sociais e ecológicos, de sua capacidade de geração de trabalho, renda e promoção do bem-viver das pessoas; em segundo lugar, trata-se de transformar, com a lógica da economia solidária, o conjunto das práticas de produção, comercialização e serviço inscritas no universo da economia informal e que, embora não apareçam nas estatísticas oficiais, garantem atualmente, em condições precárias, a subsistência de milhões de excluídos; em terceiro lugar, transformar, com a lógica da economia solidária, os milhares de microempresas, endividadas ou em processo falimentar, que, ao fecharem suas portas, agravam a situação de desemprego e exclusão social. Ao criar o Selo de Economia Solidária, busca-se instituir um elemento identificador dos empreendimentos que privilegiam a autogestão do trabalho, a justa distribuição da riqueza produzida coletivamente, o consumo ético, o respeito ao equilíbrio dos ecossistemas e à diversidade de culturas. Por essas razões, conclamo os nobres pares a aprovar a presente proposição.
Sala das Sessões, em 03 de
Outubro de 2003
Dep. José Guimarães
Líder do PT-Ce