PROJETO DE INDICAÇÃO Nº 09/2006
Cria o
programa “Vida Nova Mulher Mastectomizada” e dá outras providências.
A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ DECRETA:
Art. 1º - Fica criado o programa “Vida Nova Mulher
Mastectomizada”, de apoio às mulheres mastectomizadas no Estado do Ceará, a ser
oferecido pelos órgãos públicos de saúde.
Art. 2º - O programa tem por finalidade apoiar, orientar,
tratar, reabilitar e reintegrar pacientes e ex–pacientes acometidos pelo câncer
de mama.
Art. 3º - Para o desenvolvimento do programa, o mesmo
contará com equipes multidisciplinares formadas por médicos, psicólogos,
assistentes sociais, fisioterapeutas e advogados, visando oferecer:
I - amparo psicológico
individual e social à mulher mastectomizada;
II - local apropriado para
realização de reuniões de cunho informativo e esclarecedor;
III - exames periódicos de
ultra-sonografia e mamografia, entre outros, com a finalidade de controle ou
prevenção ao câncer de mama;
IV - acesso rápido ao
oncologista proporcionando tratamento farmacêutico, quimioterápico e
radioterápico imediato;
V - perucas, lenços, gorros,
luvas, próteses externas e sutiã adequado para o seu uso, sendo de bolinhas de
isopor, no período imediatamente pós operatório, e próteses externas de
silicone, às pacientes em tratamento quimioterápico;
VI - estímulo a criação de
grupos que possam oferecer oficinas de artesanato, visando uma interação mais
efetiva entre mulheres mastectomizadas, bem como um momento de troca de
experiências entre elas, sob a liderança de uma voluntária oficineira;
VII - passagens de transporte
coletivo para participantes do grupo de oficinas de artesanato; e
VIII - feiras expositivas a cada
trimestre onde serão expostos os trabalhos manuais confeccionados nas oficinas,
sendo colocados à venda para auxílio à mulher mastectomizada carente;
IX – atendimento prioritário nos
hospitais públicos.
Art. 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua
publicação, revogadas todas as disposições em contrário.
Dep. José Guimarães
PT-CE
JUSTIFICATIVA
O câncer
de mama é o tipo de câncer que se manifesta com mais freqüencia entre as
mulheres brasileiras. É mais comum do que o câncer de colo e de útero. A maior
incidência ocorre em mulheres entre quarenta e cinqüenta anos de idade,
existindo casos em mulheres mais novas.
Trata-se
de um tumor maligno, ou seja, originado por uma multiplicação exagerada e
desordenada de células. É maligno quando suas células têm a capacidade de
originar metástases, ou seja, invadir outras células sadias à sua volta. Se
estas células chamadas malignas caírem na circulação sangüínea, podem chegar a
outras partes do corpo, invadindo outras células sadias e originando novos
tumores.
Já os
tumores chamados benignos não possuem essa capacidade, tendo um crescimento
mais lento e estagnando após chegar a um certo tamanho. A maioria do nódulos
que aparecem na região dos seios são tumores benignos, como os cistos e os
fibroadenomas, por exemplo. Os cistos são nódulos dolorosos e aumentam antes da
menstruação. Os fibroadenomas não se transformam em câncer, e, se necessário,
podem ser facilmente retirados através de uma pequena cirurgia, geralmente
feita com anestesia local.
O melhor
meio para se diagnosticar o câncer de mama, tumor maligno, é a mamografia, que
é capaz de detectar o tumor antes mesmo que ele se torne palpável. Quando o
diagnóstico é feito dessa forma, ainda no início da formação do tumor, as
chances de cura se tornam muito maiores, descartando a necessidade de retirada de
mama para o tratamento. Apesar de ser um método eficaz, a mamografia não
descarta o auto-exame feito pelo ginecologista ou mastologista, já que alguns
nódulos, apesar de palpáveis, não são detectados pela mamografia.
A
mamografia é um exame simples, com aparelhos de Raio X especialmente
desenvolvidos para isso, onde a mulher coloca os seus seios entre duas placas
de acrílico, que irão comprimir um pouco a mama. A compressão da mama é
requisito essencial para o sucesso do exame, portanto, deve-se evitar o período
anterior à menstruação, quando as mamas ficam um pouco doloridas.
A
cirurgia para o tratamento do câncer de mama pode ser conservadora ou radical.
Será conservadora quando retira apenas uma parte da mama (quadrantectomia), e
será radical quando retira toda a mama. No caso da retirada parcial, a cirurgia
deverá ser complementada pela radioterapia.
A
radioterapia é um tratamento à base de aplicação de radiação direcionada ao
tumor ou ao local deste e tem por objetivo, se antes da operação, reduzir o
tamanho do tumor, e se após, evitar a volta da doença. A radiação bloqueia o
crescimento das células, e deve ser utilizada apenas na área afetada, evitando
atingir o tecido normal. As aplicações duram cerca de 15 minutos e devem ser
feitas diariamente, variando de 25 a 30 aplicações. O tratamento não apresenta
complicações. O local das aplicações adquire uma coloração parecida com a de
uma queimadura de sol.
Outro
tratamento utilizado nos casos de câncer é a quimioterapia, que é o uso de medicamentos
extremamentes potentes no tratamento do câncer. Também é usado para completar a
cirurgia, podendo começar antes ou após a operação. Ao contrário da cirurgia e
da radioterapia que tem efeito local, a quimioterapia age em todo o corpo,
visando evitar a volta do tumor e o aparecimento em outros órgãos. A
quimioterapia age sobre as células que tem um crescimento e multiplicação
acelerados, como as do câncer. Existem outras células do corpo que possuem
estas mesmas infecções causadas pela ação nas células produtoras dos glóbulos
sangüíneos vermelhos e brancos, queda de pêlos e cabelos devido à ação nas
células do folículo piloso, náuseas, vômitos e diarréia, em decorrência da ação
nas células do aparelho digestivo, além das dificuldades em engravidar e parada
da menstruação, já que as células do sistema reprodutor também são afetadas.
A
cirurgia de mastectomia representa uma das mais radicais formas de se extirpar
o câncer de mama, e para ajudá-las a se recuperarem dos transtornos causados,
como eventuais problemas de cicatrização, limitação dos movimentos do braço,
disfunções dos músculos e do sistema linfático, entre outros, existem diversos
programas , organizados e coordenados por por profissionais da saúde.
Além
disso, a cirurgia de mastectomia pode causar os seguintes diagnósticos:
distúrbio no padrão de sono relacionado à dor e modIficações no ambiente; dor
relacionada a distúrbios secundários ao câncer; nutrição alterada; integridade
da pele prejudicada; ansiedade; distúrbio na imagem corporal relacionada às
mudanças da aparência e isolamento social relacionado à aparência desfigurada e
ao medo de rejeição secundários ao câncer.
Pelo
exposto, o presente projeto tem por finalidade amparar a mulher carente
acometida pelo câncer de mama por meio de um programa de apoio que busca a
ressocialização da mulher que teve que passar por um tratamento tão adverso.
Sala das Sessões, 23 de
Fevereiro de 2006.
Dep. José Guimarães
PT-CE