PROJETO
DE RESOLUÇÃO Nº 37/07
INSTITUI A MEDALHA DO MÉRITO HUMANITÁRIO DR.
BEZERRA DE MENEZES, NA FORMA QUE INDICA.
A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO
ESTADO DO CEARÁ RESOLVE:
Art. 1º Fica instituída a
“Medalha do Mérito Humanitário Dr. Bezerra de Menezes”, destinada a agraciar
personalidades ou entidades de destaque no campo humanitário, da benemerência,
da filantropia e da assistência social em nosso Estado.
Parágrafo Único – Caso a
personalidade homenageada já tenha falecido, por ocasião da entrega desta
Comenda, a outorga far-se-á em caráter “post-mortem”, à pessoa designada pela
família do(a) agraciado(a).
Art. 2º A Medalha aqui
instituída será concedida anualmente a, no máximo, 06 (seis) personalidades ou
entidades, cearenses ou não, que se destacarem nas áreas citadas no artigo
anterior.
Art. 3º A entrega da honraria
ora criada será realizada em sessão solene promovida pela Assembléia
Legislativa, em seu Plenário.
Art. 4º A Medalha será
confeccionada em bronze, no formato de um disco de 25 (vinte e cinco)
milímetros de diâmetro, a qual conterá a efígie do Dr. Bezerra de Menezes de um
lado, e no verso será cunhada a expressão “MEDALHA DO MÉRITO HUMANITÁRIO DR.
BEZERRA DE MENEZES”, e o ano em que foi concedida.
§1º - A Comenda terá uma fita de
gorgorão verde e amarela com 40 (quarenta) milímetros de comprimento, por 30
(trinta) milímetros de largura.
§2º - A passadeira será de
prata, tendo a dimensão de 06 (seis) milímetros de largura da qual penderão a
fita e a medalha.
Art. 5º Esta Resolução entrará
em vigor na data de sua publicação.
SALA DAS SESSÕES DA ASSEMBLÉIA
LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ, em
FERREIRA
ARAGÃO
DEPUTADO
ESTADUAL - PDT
JUSTIFICATIVA
A criação da Comenda aqui
proposta visa resgatar a memória de um dos mais ilustres cearenses de todos os
tempos, o médico Adolfo Bezerra de Menezes, que se destacou no século dezenove
pelo exemplo de caridade no ofício da medicina, e de retidão de caráter no
exercício de mandatos políticos na sede da então Corte Imperial, no Rio de
Janeiro, sem nunca esquecer de suas raízes alencarinas, e sempre exaltando a
Terra em que nasceu. Para tanto, apresentamos, a seguir, esta breve biografia
do Dr. Bezerra de Menezes, e pedimos aos nossos pares que aprovem unanimemente
esta matéria.
Adolfo Bezerra de Menezes nasceu
na antiga Freguesia do Riacho do Sangue (hoje Jaguaretama), no Estado do Ceará,
no dia 29 de agosto de 1831, falecendo no Rio de Janeiro, no dia 11 de abril de
1900.
No ano de 1838 entrou para a escola pública da Vila do Frade, onde, em dez meses apenas, preparou-se, suficientemente, até onde dava os conhecimentos do professor que dirigia a primeira fase de sua educação. Muito cedo revelou a sua fulgurante inteligência, pois aos 11 anos de idade iniciava o curso de Humanidades e, aos 13 anos, conhecia tão bem o latim que ele próprio o ministrava aos seus companheiros, substituindo o professor da classe em seus impedimentos.
Seu pai, o capitão das antigas
milícias e tenente- coronel da Guarda Nacional, Antônio Bezerra de Menezes,
homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, tinha bens de
fortuna em fazendas de criação. Com a política, e por efeito do seu bom
coração, que o levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o
procuravam para explorar- lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela
fortuna.
Animado do firme propósito de
orientar- se pelo caráter íntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada
quantia que seus parentes lhe deram, e animado do propósito de sobrepujar todos
os óbices, partiu para o Rio de Janeiro a fim de seguir a carreira que sua
vocação lhe inspirava: a Medicina.
Em novembro de 1852, ingressou
como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Doutorou- se
em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese
"Diagnóstico do Cancro". Nessa altura abandonou o último patronímico,
passando a assinar apenas Adolfo Bezerra de Menezes. A 27 de abril de 1857,
candidatou-se ao quadro de membros titular da Academia Imperial de Medicina,
com a memória "Algumas Considerações sobre o Cancro encarado pelo lado do
Tratamento". O parecer foi lido pelo relator designado, Acadêmico José
Pereira Rego, a 11 de maio de 1857, tendo a eleição se efetuado a 18 de maio do
mesmo ano e a posse a 1.o. de junho. Em 1858 candidatou- se a uma vaga de lente
substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina. Por intercessão do
mestre Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, então Cirurgião- Mor do Exército,
Bezerra de Menezes foi nomeado seu assistente, no posto de Cirurgião- Tenente.
Eleito vereador municipal pelo
Partido Liberal, em 1861, teve sua eleição impugnada pelo chefe conservador
Haddock Lobo, sob a alegação de ser medico militar. Com o
objetivo de servir o seu
partido, que necessitava dele para ter maioria na Câmara, resolveu afastar-se
do Exército. Em 1867, foi eleito Deputado Geral, tendo ainda figurado numa
lista tríplice para uma carreira no Senado.
Quando político, levantaram-se
contra ele, a exemplo do que sucede com todos os políticos honestos, rudes
campanhas de injúria, cobrindo seu nome de impropérios entretanto, a prova da
pureza de sua alma, deu-a, quando deliberou abandonar a vida publica e
dedicar-se aos pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possuía.
Corria sempre ao casebre do pobre onde houvesse um mal a combater, levando ao
aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da sua profissão de
médico e o auxilio da sua bolsa minguada e generosa.
Afastado interinamente da
atividade política, dedicou-se a empreendimentos empresariais criou a Companhia
Estrada de Ferro Macaé/Campos, na então província do Rio de Janeiro.
Posteriormente, empenhou-se na construção da via férrea de Santo Antônio de
Pádua, pretendendo levá-la ate o Rio Doce, desejo que não conseguiu realizar.
Foi um dos diretores da Companhia Arquitetônica que, em 1872 abriu o Boulevard
28 de Setembro , no então bairro de Vila Isabel. Em 1875, foi presidente da
Companhia Carril de São Cristóvão. Voltando a política, foi eleito vereador em
1876, exercendo o mandato ate 1880. Foi ainda presidente da Câmara e Deputado
Geral pela Província do Rio de Janeiro, no ano de 1880.
Da bibliografia de Bezerra de
Menezes, antes e após a sua conversão ao Espiritismo, constam os seguintes
trabalhos: "A Escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para
extingui-la sem dano para a Nação", "Breves considerações sobre as
secas do Norte", "A Casa Assombrada", "A Loucura sob Novo
Prisma", "A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica",
"Casamento e Mortalha", "Pérola Negra", "Lázaro -- o
Leproso", "História de um Sonho", "Evangelho do
Futuro". Escreveu ainda várias biografias de homens célebres, como o
Visconde do Uruguai, o Visconde de Carvalas, etc. Foi um dos redatores de
"A Reforma", órgão liberal da Corte, e redator do jornal
"Sentinela da Liberdade".
Bezerra de Menezes tinha o
encargo de médico como verdadeiro sacerdócio, por isso, dizia: Um médico não
tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar
se e´ longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate a porta. O que não
acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou
por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro o que,
sobretudo, pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem
chora a porta que procure outro, esse não e´ médico, e´ negociante de medicina,
que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse e´ um
infeliz, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita
e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu
Espírito, a única que jamais se perdera nos vais-e-vens da vida.
Iniciava- se o ano de 1900, e
Bezerra de Menezes foi acometido de violento ataque de congestão cerebral, que
o prostrou no leito, de onde não mais se levantaria.
Faleceu em 11 de abril de 1900.
SALA DAS SESSÕES DA ASSEMBLÉIA
LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ, em
FERREIRA
ARAGÃO
DEPUTADO
ESTADUAL - PDT