PROJETO DE LEI Nº 118/09
Denomina de Maria Neusa Araújo Moura uma escola de ensino médio- localizada no Distrito de Lisieux no Município de Santa Quitéria.
A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ DECRETA:
Art.1º – Fica denominada de Maria Neusa Araújo Moura uma escola de ensino médio localizada no Distrito de Lisieux no Município de Santa Quitéria.
Art.2º - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas
as disposições em contrário.
Sala das Sessões da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará em_____de maio de 2009
DEPUTADO NELSON MARTINS-PT
É uma proposta de nome para a Escola Estadual de Ensino Médio (ou Escola do Campo) que será construída no Distrito de Lisieux, Santa Quitéria, Ceará. O projeto da escola já foi aprovado, os recursos disponibilizados, com a obra pronta para iniciar. Lisieux ganha essa obra merecidamente, visto que é o maior distrito do maior município do Ceará, que é Santa Quitéria. Seu crescimento contrasta com o da maioria dos distritos da região noroeste do Estado, pois tem como marco inicial a celebração da primeira missa em 20 de dezembro de 1960, quando só havia a pequena capela ainda em construção e duas casas ao redor da igreja. Hoje, tem mais de 800 prédios, entre residenciais, comerciais, públicos e comunitários e, uma população de mais de 8 mil pessoas, incluindo a área rural do distrito. Lisieux também está encravado no meio de uma vasta zona rural, que inclui áreas de Santa Quitéria, Forquilha, Sobral, Groaíras e Cariré. Por esses e outros motivos justificou-se a conquista dessa escola de ensino médio para Lisieux. Importante ressaltar que os distritos sobralenses vizinhos de Lisieux e pertencentes à mesma paróquia, Aracatiaçu e Taperuaba, há muitos anos já têm escolas estaduais de ensino médio. Como também a única escola do distrito, Escola de Ensino Fundamental Dona Livramento Araújo, com apenas oito salas de aula, há muito tempo não atende à demanda, além de ter que acolher seis turmas de ensino médio (anexas) da Escola Estadual Aracy Magalhães Martins, da sede do município.
Importante ressaltar que o nome de Maria Neusa Araújo Moura, nascida em 06 de fevereiro de 1940, na Fazenda Jardim, próximo ao distrito de Lisieux, município de Santa Quitéria e falecida em 17 de julho de 1994, em sua casa, na Fazenda Barro Vermelho, a 4 km de Lisieux, surgiu de imediato em virtude do que se coloca acima. Lisieux é uma “cidade” nova e a maioria de seus filhos ainda vive e luta nessa terra. Alguns, já falecidos, deixaram sua marca na vida das pessoas e da comunidade. Uma dessas pessoas é Maria Neusa Araújo Moura. Mulher, mãe, esposa, professora, amiga, líder comunitária, líder religiosa. Mas todos esses papéis foram desempenhados com a maior descrição, com simplicidade, com disponibilidade, com autenticidade.
Para dar nome a uma escola é de se esperar que seja ressaltado o papel de Educadora. Maria Neusa Araújo Moura foi uma Educadora! Filha de agricultor, estudou em casa, depois em algumas cidades da zona norte do Ceará, depois voltou para o sertão e, ainda jovem, começou a ensinar; casou e teve os filhos e os educou adequadamente, continuando no seu mister de professora da rede municipal, onde lecionou por mais de 30 anos; participante ativa dos movimentos comunitários e religiosos das comunidades de Lisieux, foi referência de tantas e tantas pessoas. Como professora tinha uma criatividade fantástica, principalmente reconhecendo as dificuldades da época, ensinando basicamente com quadro, giz e cadernos pautados. Contribuiu efetivamente com a Educação dessa parte rural do Estado do Ceará. Gostava muito de escrever, existem vários cadernos, cartas, bilhetes, anotações, preparação de aulas, reuniões. Seus vários escritos demonstram uma característica especial, principalmente analisando que vivia em um ambiente que pouco se lia e muito menos se escrevia.
Começou a ensinar ainda solteira, na Fazenda Mateus, de seu pai, no ano de 1959, nomeada professora municipal e exonerada em 1962. Voltou a ensinar a partir do dia 01 de outubro de 1963, já casada com seu primo José Araújo Moura (Dé Moura). Ensinou até 1992, ou seja, mais de 30 (trinta) anos. Ensinou várias gerações de pessoas. Ensinou crianças, jovens e adultos. Foi uma dedicada professora, teve uma vida exemplar que serviu de referência para tantas e tantas pessoas. Ensinava em sua casa à tarde e à noite (os adultos). Em 1982 passou a ensinar na rua de Lisieux, onde se deslocava diariamente levando sua filha caçula Cristina no lombo de um jumento. Depois voltou a ensinar novamente em casa. Mandou fazer um quadro negro na sala e assim alfabetizou várias crianças e jovens, cujos sonhos, naquela época, eram “completar a idade” e irem para o sul do país. Mesmo com os afazeres domésticos sempre tinha um tempo para preparação das aulas e, registrava em anotações tudo o que pretendia ensinar. Procurava junto aos filhos e a outras pessoas ideias para aplicar em sala de aula. Naqueles tempos não havia supervisão, coordenação escolar e o acompanhamento por parte das secretarias de educação era ruim. Recebia dos cofres municipais irrisórias quantias. Ela dizia que ensinava mesmo porque gostava, não podia deixar aquelas pessoas sem estudo. Tinha uma criatividade fantástica para ensinar, o que cativava muito as crianças. Era, enfim, uma professora dedicada, que tinha amor à profissão. Alfabetizou muitas pessoas, as quais tinham nela uma referência de pessoa humana.
Filha de pais católicos, desde cedo aprendeu e apreendeu a fé em Cristo. Muito devota, teve participação efetiva em todas as atividades da igreja, da capela de Santa Teresinha. Assimilou os ensinamentos dos pais e avôs e os levou para sua casa, que costumava chamar de “a igreja doméstica”. Depois, muito participava das atividades da capela, principalmente das festas religiosas. Foi catequista das crianças que viviam nas redondezas, próximas de sua casa. Ensinava os conhecimentos da educação e também os conhecimentos da religião. Passou a ter um envolvimento mais forte nas atividades pastorais a partir da organização do Apostolado da Oração que foi fundado oficialmente em 13 de setembro de 1981, sendo a primeira Secretária do Apostolado da Oração, uma organização muito forte da Igreja Católica.
Participava ativamente das novenas do Natal em Família e da Campanha da Fraternidade, onde sempre ficava responsável por um grupo. E posteriormente, foi nomeada como Ministro Extraordinário da Eucaristia, da Diocese de Sobral, pelo Bispo Dom Valfrido Teixeira Vieira, em 25 de fevereiro de 1990, onde desempenhou um papel muito forte nas celebrações e nas ações pastorais. Era ouvida e tornou-se uma referência na comunidade.
Maria Neusa Araújo Moura costumava dizer que não bastava a oração, tinha que ter ação. Ou seja, a própria palavra ORAÇÃO significava que se deveria orar e agir, fazer algo de concreto pelas pessoas. E assim se dava sua participação na vida da comunidade de Lisieux e das regiões próximas. Vinculava sempre sua fé em ações de apoio às pessoas. Era tida como uma pessoa muito caridosa e atenciosa. Preocupava-se muito com a situação de vida das pessoas. Articulava com o grupo campanhas de doações de cestas básicas para pessoas em dificuldades financeiras, remédios para os doentes, visitas aos idosos e doentes, realização de casamentos para aqueles que não eram casados. Organizou a construção de uma casa para uma família pobre de Lisieux no chamado Gesto Concreto: uma ação originada da Campanha da Fraternidade de 1993, cujo Lema era “Onde moras?”. Foi fundadora do Grêmio Recreativo Cultural e Educacional de Lisieux – GRECELI, uma associação de jovens, mas que, desde o início, deu o seu apoio. Apoiou os trabalhos comunitários e as reivindicações da comunidade. Inclusive, apoiou e participou da primeira greve de professores de Santa Quitéria, em 1989, em que o prefeito chegou a demitir alguns professores, mas com a intervenção do deputado estadual na época João Alfredo, e juntamente com os professores que foram para a prefeitura, foi revertida a situação. Apoiou a luta dos trabalhadores rurais da região pela reforma agrária, notadamente os trabalhadores da Fazenda Jardim, onde nasceu, os da Fazenda Groaíras e Ubá, que se tornaram assentamentos. Costumava dizer que, às vezes, não podia fazer muito, mas rezava para que tudo desse certo. Preocupava-se com os desdobramentos das questões e, do seu jeito, dava sua contribuição.
Maria Neusa Araújo Moura recebeu uma homenagem póstuma da população de Lisieux por ocasião da Festa dos 35 Anos de Lisieux, ocorrida em dezembro de 1995. Da mesma forma que a Festa dos 30 Anos ocorrida em 1990 fez uma homenagem especial a Milton Araújo, a Festa dos 35 Anos fez uma homenagem especial a essa professora, mãe, ministra da eucaristia, companheira Maria Neusa Araújo Moura. É uma festa organizada pelo GRECELI a cada 5 anos, em que, durante uma semana ocorrem várias atividades culturais, esportivas, sociais e educativas em Lisieux.
DEPUTADO NELSON MARTINS-PT