PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 26.08

 

            

Concede a medalha por “Ato de Bravura  em Defesa da Vida  Estudante Jucá”.

 

 

 

A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ

 

 

DECRETA:

 

 

1º-   É concedido pelo Poder Legislativo Cearense, Medalha por "Ato de Bravura  em Defesa da Vida Estudante Jucá", a cidadão cearense.

 

2º-  A homenagem se destina àqueles que em atitude de bravura presta socorro pondo em risco a própria vida, numa atitude de solidariedade ao seu semelhante em defesa da vida.

 

3º- A proposta de homenagem será apresentada ao plenário por qualquer de seus membros, mesa diretora, colégio de líderes ou de comissão técnica individual ou          conjunta, acompanhada de narrativa do ato de bravura em defesa da vida,   requerendo para sua  aprovação  maioria absoluta.

 

4º- A Medalha de Bravura será concedido em Sessão Solene, anualmente e em comemoração ao dia do estudante,  para este fim convocada.

 

5º-  Esta  Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

 

-  Revoguem -se  disposições em contrário.

 

 

 

Paço da Assembléia Legislativa do Estado Ceará, aos 16 de dezembro de 2009.

 

 

 

DEPUTADO EDSON SILVA

 

 

 

JUSTIFICATIVA

 

 

Senhoras e Senhores deputados,

 

Tenho a honra de propor a este augusto plenário, o anexo Projeto de Resolução, que visa conceder medalha por ato de bravura aqueles que em ato de coragem e solidariedade humana em defesa da vida, socorre seu semelhante em virtude de acontecimentos fatais ou desastres que ponham em risco vidas individual ou coletiva.

 

A inspiração para a homenagem tem a denominação Estudante Jucá, jovem que numa atitude de bravura, coragem e heroísmo não mediu esforços para socorrer semelhantes quando de um incêndio em hospital de Fortaleza.

 

A morte de João Nogueira Jucá coincide com o Dia do Estudante.  O jovem, em 1959, quando tinha apenas 17 anos, morreu para salvar enfermos da então Casa de Saúde Doutor César Cals, na Avenida do Imperador, durante um incêndio na unidade.

 

Era um menino prestativo, amigo da família, um jovem de bem, assim o definiram. O estudante, na manhã de 4 de agosto de 1959, retornava de uma aula de halterofilismo e viu o incêndio na Casa de Saúde, iniciado a partir de uma explosão num depósito de éter. Ele estava acompanhado de um amigo, mas partiu sozinho para tentar salvar as vítimas. João resgatou vários pacientes e, ao tentar salvar mais um, foi atingido pela explosão de um tubo de oxigênio. Morreu na madrugada do dia 11, na Casa de Saúde.

 

A história do estudante segue contada por amigos do antigo Colégio São João, localizado na Avenida Santos Dumont. “Era filho de gente importante”. Foi o último a ser socorrido porque era desconhecido ali e ficou calado, sem reclamar. Ele não se arrependeu do ato de bravura por pessoas que sequer conhecia. João sonhava ser oficial da Marinha e era um desportista assíduo, praticante de natação.

 

Quando o estudante João Nogueira Jucá morreu, no dia 11 de agosto de 1959, faltavam três meses para completar 18 anos. Ele era um jovem calado, de um coração imenso, humano. Por isso, a família e os amigos não estranharam a atitude que tomou ao entrar no prédio em chamas para salvar doentes que estavam internados na Casa de Saúde César Cals, hoje, Hospital Geral César Cals (HGCC). Apesar da gravidade do seu quadro, em nenhum momento se arrependeu do que fez. "Ele dizia que seu corpo queimava como brasa".

 

No dia 04 de Agosto de 1959, às 14 horas ao passar em frente à Casa de Saúde César Cals, na Praça da Lagoinha (Capistrano de Abreu) perceberam um incêndio. Convidou o amigo que o acompanhava para ajudá-lo a salvar as pessoas que se encontravam no interior do hospital. O outro, no entanto, achando perigosa a empreitada, recusou a proposta. João Nogueira Jucá e vários outros abnegados se lançaram ao fogo. O nosso jovem salvou vários recém-nascidos, depois suas mães, que já estavam em situação dramática. Muitas eram as enfermeiras que pediam para que ele parasse com aquele esforço, pois a cada pessoa que trazia mais eram visíveis as queimaduras em seu corpo. Uma senhora implorou-lhe para que fosse buscar o seu bebê que ficara lá dentro. Ele lançou-se mais uma vez às chamas e trouxe a criança com vida. Novamente uma enfermeira tentou impedi-lo de cruzar o fogo, argumentando que não tinha mais ninguém nas enfermarias, mas ele disse: “Ainda tem na indigência”. Voltou com uma pessoa nos braços atingida pelo fogo. Numa dessas idas e vindas, explodiu um tubo de oxigênio que estava próximo e o nosso jovem foi duramente atingido.

 

Naquele momento, às 16 horas, por uma ironia do destino, sua mãe, passando em frente, viu pessoas retirando um corpo envolto em um colete, com diversas queimaduras, mas nunca poderia imaginar que era o próprio filho. Chegando em casa, na hora do jantar, enquanto comentava o fato com os filhos e o esposo, o telefone toca e alguém comunica que seu filho estava na Assistência Municipal. A partir desse dia seus pais não voltaram mais para casa. O estudante foi visitado pelo então governador Parcifal Barroso, que disse, com os olhos cheios de lágrimas: “João, o povo do Ceará lhe agradece”. Já às portas da morte João Nogueira Jucá disse para o pai, contrariado com a perda do filho mais novo: “Não, pai, faria tudo de novo, e me orgulho do que fiz! Acho que ainda fiz pouco”. Logo depois morreu. Este fato ocorreu na madrugada de 11 de agosto de 1959, tendo o nosso jovem 17 anos de idade.

 

Considerando a necessidade de referência humanística que motivem os nossos jovens na luta em defesa da vida é que, este gesto de João Nogueira Jucá, tem que permanecer sempre vivo na mente e no coração de todos.

 

Rogo à Mesa Diretora e em seguida ao plenário que aprove o presente Projeto de Resolução.

 

 

 

 

 

DEPUTADO EDSON SILVA